quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Anseios


Bebe a sede do amor gratinada de saudades.
Embora sejas, não resguardo à lembranças passadas,
Formadas pela certeza de falta acumulada no ventre solto.
Jovens pesadelos destroem velhos sonhos,
Derrubando fronteiras que choram a grande distância.
Ao sentir o mesmo tempero,
Já apavora passar de novo no mesmo tom,
Esperar pelo que definitivamente está de mudança
E pretende não voltar.

Oração ao Tempo



Tempo
Será ele o nosso Deus?
Quanto tempo leva o tempo para se refazer?
Sereno e implacável
Unhado em nossa carne
Nos faz crescer, proliferar e enrrugar.
As vésperas de uma perca de tempo resolvo assim falar:
Estou sem tempo para fazer o que o tempo me pediu,
Sem tempo para descortinar o que ainda há em mim.
Sem tempo para relembrar o que já existiu.
Falta Tempo...
Ó Deus meu, acalenta minha existência, afaga meu viver.
Tempo, não passe voando! Fique aqui, preciso de ti.
Quero ver o brilho nos olhares, 
quero sentir todos esses perfumes
conhecer todos os sabores
sonhar como todos os mundos que posso criar
Dai-me um pouco mais de ti.  


Linda canção de Caetano Veloso

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Tempestade dentro de mim


Fui solidificando algo aqui dentro,
batia feroz
era vivo.


A sutileza sumiu
a mão agora pesa
o olhar é rispido
o devaneio quase não existe.


Queria deitar e sentir o ar sair dos pulmões.


Agora é tudo corda bamba
concentração,
para andar na linha da vida
é preciso suar frio, é preciso cautela
pisando firme com os dois pés, mantenho o equilíbrio que se exige.


Assim vou me perdendo de mim mesma,
definhando.

Encerro o capítulo
que era pra se escrever todo torto
assim como eu,
mas obedeci as regras e agora lhe entrego
sem assinar embaixo, sem minha digital.

É o nada,
que transborda.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Lá fora a rua vazia, chora.



          Meditava sobre a minha condição, perdido no deserto e ameaçado, nu entre a areia e as estrelas, afastado por um longo silêncio dos pólos da minha vida [...] Era apenas um mortal perdido entre a areia e as estrelas, consciente da única doçura de respirar...
         Contudo eu me descobria cheio de sonhos. Sonhos que me vinham em silêncio, como água de nascente, sem que eu compreendesse, a princípio, a doçura que me invadia. Não houve imagens nem vozes, mas o sentimento de uma presença, de uma ternura próxima, que eu já adivinhava. Então compreendi e me abandonei, de olhos fechados, aos encantamentos da memória.
         Havia, em algum lugar, um parque cheio de pinheiros escuros e tílias, e uma velha casa que eu amava. Pouco me importava que ela estivesse distante ou próxima, que não pudesse cercar de calor meu corpo, nem me abrigar, reduzida apenas a um sonho; bastava que ela existisse para que minha noite fosse cheia de sua presença. Eu não era mais um corpo de homem perdido no areal. Eu me orientava. Era o menino daquela casa, cheio da lembrança de seus perfumes, cheio da fragrância dos seus vestíbulos, cheio das vozes que a haviam animado. E chegava mesmo até mim o coaxar das rãs nos charcos próximos. Precisava desses mil sinais para reconhecer a mim mesmo, para descobrir de quantas ausências era feito o gosto daquele deserto, para achar um sentido naquele silêncio feito de mil silêncios, naquele silêncio em que até as rãs emudeciam.
Não, eu não me estirava mais, solitário entre a areia e as estrelas.
         Da paisagem recebia apenas uma fria mensagem. Mesmo aquele gosto de eternidade que eu pensei viesse do deserto tinha outra origem. Eu revia os grandes armários solenes da casa. Eles se entreabriam mostrando pilhas de lençóis alvos como a neve [...]
Ah, eu bem te devo uma página! Quando eu voltava de minhas primeiras viagens, Mademoiselle, eu te encontrava coma agulha na mão, afundada até os joelhos em tua sobrepeliz branca, cada ano um pouco mais enrugada, os cabelos um pouco mais alvos [...] Quando era menino já vivia rasgando as camisas – ah, que infelicidade! – Já vivia esfolando os joelhos e depois vinha correndo para casa, como naquela tarde, para que tratassem de mim.
         Mas não, não, Mademoiselle! Não era mais o fundo do parque que eu vinha agora; era dos confins do mundo. E trazia comigo o odor acre das solidões, o turbilhão dos ventos de areia, as luas deslumbrantes dos trópicos!
          Eu sei, eu sei – tu me dizias –, os meninos são assim, pensam que são muito fortes, vivem em correrias, se machucam todos. Mas não, não Mademoiselle, eu havia ido além do parque. Ah, se soubesses como essas sombras do parque são pouca coisa! Como parecem perdidas entre os areais, as rochas, as florestas virgens, os charcos de terra! Sabes, ao menos, que há terras em que os homens, logo que enxergam a gente, apontam suas carabinas? Sabes que há desertos, Mademoiselle, em que a gente dorme numa noite gelada, sem teto, sem cama, sem um lençol, Mademoiselle?
        E tu dizias: – Ah, menino...
        Eu não abalava a tua fé como não abalaria a fé de uma velha serva da Igreja. Lamentava o teu destino humilde que te fazia cega e surda... Mas esta noite, no Saara, sozinho entre a areia e as estrelas, eu te faço justiça.
       Não sei o que se passa em mim. Esta força de gravidade me liga ao chão quando tantas estrelas são imantadas. Uma outra força de gravidade me prende a mim mesmo. Sinto o peso que me une a tantas coisas! Meus sonhos são mais reais que estas dunas, estas dunas, esta lua, estas presenças. Oh, o que há de maravilhoso numa casa não é que ela nos abrigue e conforte, nem que tenha paredes. É que deponha em nós, lentamente tantas providências de doçura. Que forme, no fundo de nosso coração, essa nascente obscura de onde correm, como água da fonte, os sonhos...

Terra dos homens, de Saint-Exupéry

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

mundo, mundo...vasto mundo

A virtuosidade é UMA das possibilidades de ação humana. Se fosse a única existente, suponho que este blog não existiria.
As inúmeras possibilidades de ação que podemos realizar, digo, as infindáveis formas de agirmos que somos capazes, torna-nos, no mínimo, interessantes.
Há quatro tipos de caráter no viés filosófico de Aristóteles. São eles: o Virtuoso, o Continente, o Incontinente e o Vicioso.

Vejamos: Um homem casado, se depara com uma situação inusitada, uma linda mulher lhe dá uma cantada e tenta o seduzir.

O Virtuoso
O ser com um caráter virtuoso, não irá ceder aos encantos da linda mulher, não traindo sua esposa, além disso, ele se sentirá feliz por agir desta forma. Tendo consciência de que, sua atitude está de acordo com o que esperam dele.

O Continente
O ser continente, da mesma forma, não irá trair sua esposa, pois sabe que é isso que esperam dele. Porém haverá um conflito de desejos e ações, pois este homem, no fundo, desejava praticar o adultério. Ele tem consciência de que agiu da forma correta, mas, no entanto, está contrariando a si mesmo. Há neste perfil, um desvio de caráter, mesmo que imperceptível.

O Incontinente
Seguindo a ordem crescente do agravante, o incontinente irá trair sua esposa e terá feito isso pois sentiu desejo e o respeitou. Mesmo assim, este ser, estará ciente de que sua ação é contrária ao que esperam dele. Poderá apresentar um remorso, ou quem sabe vergonha de assumir sua atitude, mas em seu íntimo sabe que independentemente dos sentimentos de sua esposa, familiares e/ou sociedade acabou agindo exatamente da forma que lhe agradaria.

O Vicioso
Por fim, há o vicioso, este ser, trairá sua esposa, estará feliz com sua atitude e sentirá que sua ação é digna de respeito e orgulho. Isso, se o ser vicioso for capaz de parar para pensar em suas ações, pois na pior das hipóteses este homem não terá consciência do que acabou de fazer. O ser vicioso é extremamente antiético e não tem a menor preocupação em calcular a gravidade e consequências de suas ações.

Ora, como disse anteriormente, o ser humano é tão complexo, imprevisível e diverso que não há como não achar encantadora essa pluralidade. Tenho certeza que, enquanto deslizou seus olhos na leitura desse texto, iniciou um processo de enquandramento de seu perfil e um dos quatro tipos de caráter apresentados. Pois lhe digo, você é tudo isso.

Quando você anda na rua e passa por um mendigo que lhe pede moedas e você o ignora nem respondendo-o, está sendo vicioso. Mas assim que você chega no seu trabalho e honra as regras de uso do telefone fixo da empresa, não ligando para sua mãe ou amigos está sendo virtuoso.


Nota de rodapé:
Se faz necessário que façamos uma ressalva aqui. Temos de ter em mente que o medidor deste caráter é a sociedade. O que cinco décadas atrás podia ser considerado virtuoso, hoje poderá ser visto como um ato absurdo e vice-versa. O bom senso e a visão de coletividade deve ser levado em conta para sondarmos estes quatro tipos de caráter aduzidos por Aristóteles.




sábado, 10 de dezembro de 2011

Sociedade

Sinto-me rodeada de pessoas que a todo instante estão prontas para vomitar suas gafes, extremismos e equívocos. Não há neste mundo a ponderação e busca por uma conduta baseada no equilíbrio e focada no respeito.
Para todos aqueles engajados politicamente há sempre pontos em que a ignorância reina, suas convicções os cegam e deixam de pensar no bem comum coletivo (e quando digo coletivo, penso naquela senhora de 83 anos que vive em uma casinha de madeira com seu fogão a lenha, penso na criança de 8 anos que estuda em escola particular e que, sem saber, sofre preconceito por fazer parte de uma elite intelectual e econômica, penso naqueles que passaram a vida inteira no mesmo emprego com R$500 pila na carteira de trabalho, ou aqueles que passaram a vida inteira com dinheiro da previdência por invalidez) a amplitude desta pluralidade social causa essa dificuldade de ponderação que antes citei. Em algum momento, todos, sofreram preconceito, eu, você, todos nós já fomos criticados por um grupo social diferente do nosso.
Tendo ciência de que comumente irei me deparar com esses exageros, gostaria de abordar aqui um exemplo disso, a infeliz exposição de um fulano, chamado Silvio Koerich, que em sua tentativa de encomodar, sim, só é possível imaginar esse objetivo, não acredito que ele buscava seguidores ou apoiadores em uma visão tão distorcida da sociedade, sobretudo, uma visão tão generalizada e violenta com relação a mulher. Colocou em seu blog, diga-se de passagem, inovador e visualmente bem humorado um texto sobre as mulheres baladeiras, dizendo que valem menos do que prostitutas.
Bom, até ai tudo bem, concordei com ele ao ler o título do texto, iniciei a leitura dando o maior apoio ao cara. As mulheres baladeiras não respeitam seu corpo, não pensam que estão denegrindo a imagem de todas nós, mulheres, não pensam que um dia poderão ser mães, e que, muito provavelmente levarão a diante esta falta de integridade, caráter, indole e respeito, consigo e com os outros. E serão com certeza pragas disseminando a futilidade, a vulgaridade e as atitudes de má fé (essa vale para as "marias-gasolinas"). Porém em dado momento o cretino resolve generalizar, e pior, criticar o que ainda resta neste mundo de bom, a educação.
Dizer que mulheres estão cursando graduações em Ciências Humanas e que estes nada acrescentam de bom ao mundo foi um de seus primeiros e gigantes erros. A humanidade só conseguiu evoluir em grupo (em bando) a partir do momento que passou a entender-se. O líder espiritual das milenares tribos indígenas nada mais eram do que os ostentadores da habilidade de guiar seu povo, essa habilidade é uma ciência humana. Os primeiros filósofos, a educação em massa, foram fundamentais para a evolução humana. Se não tivessemos tido um primeiro professor, em um primeiro grupo de pessoas, nós estaríamos até hoje sem manusear o fogo e sem construir a roda.
Dizer que mulheres não prestam nem mesmo para entrar em sala de aula, e estão nas escolas apenas para descarregar seus problemas emocionais nos alunos, foi pesado demais.
Sou professora e tive uma vida de dedicação a isso. Desejo do fundo do meu coração contribuir para a construção de uma sociedade melhor.
Estou extremamente ofendida com o Sr. Silvio Koerich e lamento muito sua existência. Saber que diversas professoras passaram por ele, muitas, muitas delas depositando carinho e atenção para com o Silvio. Elaborando provas, pesquisando formas de ajudá-lo a aprender aquele conteúdo que apresentou dificuldades, ouvindo-o, e quem sabe, ajudando-o a resolver problemas de cunho pessoal. Sim, muitas professoras o amaram e o ensinaram. Para hoje, ele escrever em um Blog de layout divertido, coisas horríveis sobre as mulheres, sobre as ciências humanas e sobre a docência, diga-se de passagem apoiando os estupradores.

Enquanto alguns lutam para salvar a sociedade, aparecem Silvios em nossas vidas, querendo estragar tudo, seriais killers, assassinos, ladrões, bardeneiros, ignorantes, mas principalmente recalcados que possuem uma visão distorcida do que é viver.

http://www.silviokoerich.com/

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Aliança

Cheguei até aqui.
Chegamos até agora.
Voei até hoje e sinto, mais que nunca,
tua mão sobre a minha, aquecida, protegida,
as duas de agora em diante enlaçadas.
Entrelaçados estamos, alinhavados nossos rumos.
Meus vestidos, minhas manias, e meus medos.
Teus casacos, teu perfume e tuas dúvidas.
Fechados em armários, cúmplices de nossas noites,
cantigas embaladas com os amigos.
Teus olhos indicarão meu horizonte,
em meus braços ninarei a tua esperança.
Nada mais nos divide, a luz de nosso amor se reflete
através de nossos corações.
E assim somando, multiplicaremos.
Seremos um todo, para sempre.




Amor é quando a gente mora um no outro.
Mário Quintana
 

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Outubro Mês das realizações!!!!

Se o ano tivesse só 10 meses...
Se todos os meses fossem assim como o outubro...
Mês do progresso...mês que me trouxe alegrias...materiais, sentimentais, profissionais, intelectuais...

Nascem crianças
Compram-se carros
Aprovam-se em concursos
Admitem-se em cargos de chefia
Festeja-se datas importantes
Chegam salários acumulados
Arranja-se tempo livre para o lazer...

Outubros que virão
se forem tão bons quanto este, 
serão guardados no meu coração.

Uma rima tosca, 
sem intenção de existir
Mas é verdade...
Estou começando a ter saudade 
desses dias de alegria que vivi.
Cada abrir de olhos 
no início da manhã 
era uma novidade 
que estava por vir.

Mês de outubro foi um 25 de dezembro...só que longo...em deliciosos 31 dias. Me senti uma criança que ganhou o melhor presente do mundo...que teve um Papai Noel generoso...que superou as expectativas.

domingo, 25 de setembro de 2011

Rock in Rio

Atriz da Globo no camarote VIP...
não consegue descrever a emoção de estar no Rock in Rio e diz:


"A Copa do Mundo podia imitar o Rock in Rio..."


Meu noivo...muito irônico diz: Então na Copa do mundo os jogadores da seleção vão jogar rugby já que no Rock in Rio toca de tudo, menos rock....


enquanto isso...na televisão está rolando o show no palco principal do Rock in Rio... Claudia Leite bombando no palo com uma minisaia muito mini.


De sete dias...apenas 2 terão rock... de resto serão os mesmos que aparecem no Domingão do Faustão.


E ai de quem diz que está ruim a programação....no fundo no fundo, não acho ruim...acho apenas hipócrita....acho contraditória....se quer tocar Rihana...estão faça um festival Pop...
roubando um espaço que deveria ser nosso!!!